Cirurgia de Mama: Respondendo Perguntas Frequentes (Ep. 36)

26/09/26podcastalém da mamacirurgia de mamaperguntas frequentes

O episódio 36 do Além da Mama inaugura um quadro novo: perguntas e respostas. São dúvidas que as Dras. Patrícia Maciel, cirurgiã plástica, e Fernanda Barbosa, mastologista, recebem no consultório e no Instagram, e que costumam ser as mesmas de muita gente. Uma pergunta para cada uma, alternando.

O que a conversa cobre

Restaurar a mama sem prótese e sem gordura; como funciona o atendimento de quem mora fora de São Paulo e quanto tempo ficar na cidade; o que organizar ao receber um diagnóstico de câncer aos 30 anos; quanto esperar depois de parar de amamentar; como se escolhe a incisão da adenomastectomia; e se a tela na mastopexia vale o investimento.

Dá para restaurar a mama sem prótese e sem enxerto?

Dá, responde a Dra. Patrícia — com a ressalva de que é uma restauração, não um milagre. A técnica devolve a forma, mas respeita o volume que aquela mama já tem. Ela conta que trouxe para as mamas pequenas a mesma técnica que desenvolveu para o explante: a mama de quem amamentou dois filhos e ficou flácida volta a ser circular, com a pele ajustada, sem nada trazido de fora. Se a paciente quer um pouco mais de volume, o enxerto de gordura complementa; se quer muito, aí o caminho é o silicone.

Quem mora em outra cidade

A Dra. Fernanda descreve a jornada da paciente oncológica de fora: a equipe entende o diagnóstico e os exames já feitos, ela faz uma pré-avaliação, uma teleconsulta, e só então a consulta presencial em São Paulo, com o resto já agendado. O exemplo que ela dá é o de uma paciente do interior de Goiás que chegou numa segunda-feira e, até sexta, já tinha passado por coleta de óvulos, oncologista, exames complementares e teste genético. A diferença em relação à cirurgia plástica, ela observa, é que na oncologia quase sempre é preciso repetir exames e fazer mais avaliações antes de decidir.

A Dra. Patrícia separa as pacientes por distância. Começa sempre com consulta online; no explante, pede a ressonância magnética feita na cidade da paciente e as fotos que a equipe orienta. Na mastopexia sem prótese, bastam as fotos. Quem vem de carro, de até três ou quatro horas, chega dois dias antes, volta dois dias depois e retorna semanalmente por três semanas. Quem vem de outros estados chega um ou dois dias antes e fica no mínimo duas semanas. Quem vem de fora do Brasil chega de cinco a sete dias antes e fica três semanas.

Diagnóstico aos 30 anos: o que não pode ser esquecido

O tratamento precisa começar o quanto antes, mas, nas palavras da Dra. Fernanda, não pode ser atropelado. Aos 30 anos, ela explica, o teste genético está sempre indicado. E há a conversa sobre o desejo de ter filhos: se a paciente vai começar por quimioterapia neoadjuvante, a hora de congelar óvulos é agora. Soma-se o que toda paciente precisa — patologia, exames de imagem adequados e avaliação do oncologista para definir o tratamento em conjunto.

Quanto esperar depois de parar de amamentar

A primeira pergunta que a Dra. Patrícia devolve é a idade da criança. Com bebês de menos de seis meses, em que o leite ainda acumula na mama, ela pede que a amamentação seja interrompida, avalia a mama três meses depois e prefere operar com seis meses. Com crianças maiores, a produção é mais imediata e cessa mais rápido, então o prazo pode encurtar. O intervalo que ela usa: no mínimo três meses, no máximo seis.

A cicatriz da adenomastectomia é sempre a mesma?

Não, responde a Dra. Fernanda. Quando a mastectomia é necessária, a preferência dela é quase sempre pela adenomastectomia, que preserva pele e mamilo — e hoje, diz, são raros os casos em que é preciso retirar o mamilo. Ela usa basicamente duas incisões. A favorita é no sulco inframamário, para mamas pequenas ou médias sem excesso de pele. Em mamas maiores ou com queda, associa a técnica de pexia em T invertido para subir a aréola e reduzir pele. A incisão radiada ela praticamente não usa de rotina: a fibrose da cicatriz puxa a aréola para o lado.

Tela na mastopexia vale o investimento?

A Dra. Patrícia explica que as telas que chegam agora ao Brasil são totalmente absorvíveis — diferentes das antigas, que ficavam no corpo e que ela já precisou retirar em explantes. A lógica é que o organismo crie sustentação própria na região e a mantenha depois que a tela é absorvida. O uso começou na reconstrução, junto com a prótese, e é mais recente nas mamas sem prótese.

Ela conta que gostou do que viu: a paciente mais antiga, de 70 anos, operada há pouco mais de um ano, manteve uma forma muito parecida com a de dois meses de pós-operatório. Mas faz as ressalvas — ainda é pouco tempo, o investimento não é baixo e não há respaldo científico que diga quanto melhora o resultado. "A resposta é não sei", admite. O que ela afirma é que a complicação é baixa, e por isso trata a tela como opção a discutir com cada paciente.

O que se discutiu no episódio são explicações das médicas, não indicações gerais. Técnica, incisão, prazo para operar e uso de tela dependem do seu caso e se discutem em consulta.

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