Quando Devo Me Preocupar com a Queda de Cabelo? (Ep. 37)
4 minO episódio 37 do Além da Mama é sobre cabelo — o assunto que, como brincam as Dras. Fernanda Barbosa, mastologista, e Patrícia Maciel, cirurgiã plástica, todo mundo quer saber. O convidado é o dermatologista Dr. Hudson Dutra, que dedica a carreira à tricologia, a área que cuida do cabelo e do couro cabeludo. A pergunta que dá nome ao episódio é a de muita gente: até onde a queda é normal, e quando ela pede atenção médica?
O que a conversa cobre
A formação de um médico que trata só de cabelo; por que a tricologia não é uma especialidade formal; quem pode atuar nela; a variedade de queixas que chegam ao consultório; o peso psicológico das doenças capilares, da queda pela quimioterapia à alopecia fibrosante frontal; e, a partir daí, como diferenciar a queda sazonal de um quadro que precisa de cuidado.
Uma área sem residência própria
O Dr. Hudson começa explicando algo que surpreende: não existe, nem no Brasil nem no exterior, uma especialidade reconhecida de tricologia, com residência própria, como existe na mastologia ou na cirurgia plástica. Quem quer se aprofundar precisa buscar experiência por conta própria.
Foi o caminho dele. Depois da residência em dermatologia, morou em Zurique, onde desenvolveu um projeto de pesquisa com plasma rico em plaquetas, o PRP, para um tipo específico de alopecia, em parceria com a universidade local e a clínica de um professor que ele descreve como um grande nome da tricologia mundial. De volta ao Brasil, fez o mestrado na USP, no Hospital das Clínicas, onde hoje acompanha residentes e fellows na tricologia enquanto cursa o doutorado. Há cerca de cinco ou seis anos, coordena também o ambulatório dedicado ao cabelo na Fundação Lusíada, em Santos, onde atende pacientes de todas as idades e com todo tipo de queixa capilar.
Ele tem quatro livros publicados em dermatologia. Um deles, escrito com colegas do Rio de Janeiro, é inteiro sobre cabelo: saiu em 2020 com 50 capítulos e está sendo reformulado para uma segunda edição com 65.
Quem pode tratar o cabelo
Não há resolução do Conselho Federal de Medicina que impeça um médico de outra área de se dedicar à tricologia, e o Dr. Hudson conta que já teve alunos vindos da cirurgia plástica e da ginecologia. A opinião dele, porém, é que a formação em dermatologia dá mais base para diagnosticar e propor tratamento. Ao mesmo tempo, observa que há excelentes dermatologistas que não transitam bem pelo cabelo — e que ele mesmo, por exemplo, tem colegas que tratam psoríase melhor do que ele. Entender como o folículo funciona e como isso aparece no fio, resume, é bem complexo.
A Dra. Patrícia confessa a própria surpresa. Para ela, cabelo era quase sempre a alopecia androgenética, de família: ou uma vitamina, ou o transplante capilar. Não imaginava que houvesse tantas possibilidades a ponto de justificar dedicação exclusiva. O Dr. Hudson acrescenta que viver só de tricologia exige estar num grande centro de referência, como São Paulo — numa cidade pequena, não haveria demanda.
O consultório não é só estética
As queixas que chegam são muitas: cabelo tingido, dano solar no fio, quebra por trança ou chapinha, fios rarefeitos, queda intensa, histórico familiar, o filho adolescente com problema capilar. Mas o que mais chama a atenção do Dr. Hudson, e o que ele diz tornar a consulta mais acolhedora, é o cuidado com a parte psicológica, que ele descreve como extremamente pesada.
A queda de cabelo pela quimioterapia é um dos exemplos que ele cita. Outro é a alopecia fibrosante frontal, em que a linha de implantação do cabelo vai recuando e a testa aumenta. Segundo ele, os tratamentos são limitados e a causa ainda não é bem conhecida; dá para frear a doença, mas não há cura nem solução definitiva, e o transplante capilar é contraindicado na grande maioria dos casos, porque o cabelo transplantado se perde.
Doença capilar é diagnóstico médico, e a causa da queda muda tudo. O que se discutiu no episódio são explicações do convidado, não indicações gerais: a indicação de qualquer tratamento é individual e se discute em consulta.

